Estava eu lá no ponto estratégico da casa.

Já falei deste lugar? É onde a gente tem que ficar para ver tudo na casa, a cozinha, os quartos, a sala e, principalmente, a porta de entrada.

Estou sempre alerta. Mas, certo dia, acontece quase nunca, dei uma cochiladinha por um breve instante. Rápida, coisa de 4 horas.

De repente, um solavanco. Acordei sobressaltado.

Um sujeito mal encarado tinha tropeçado em mim, não sei por que ele estava carregando a TV da casa.

Subitamente, a ficha caiu.

Era um ladrão!

Nunca havia acontecido.

Chegou finalmente a hora de eu mostrar minha valentia, minha força e minha perspicácia.

Quando eu ameacei dar o primeiro latido de força, o cara veio se aproximando com alguma coisa na mão. O cheiro não engana. Eram biscoitos…

Quem resiste a biscoitos?!!!

A humana-mor disse que só eu não resistiria a biscoitos e também a carne, arroz, chocolate e tudo mais, mas eu duvido. Biscoitos são biscoitos! E eu não sou de ferro!

Voltando à sequência dos fatos, não me contive e parti para cima do rapaz. Recebi saltitante os biscoitos oferecidos. Eram muitos e deliciosos!

Nisso, de rabo de olho, observava a movimentação. Computador, TV, micro-ondas, geladeira eram carregados pela casa.

Os humanos estavam de mudança? E nem me avisaram.

Mas, naquele momento, nada mais importante do que me deliciar com aqueles quitutes marrravilhooooosos!

Comi tanto que caí no sono de novo.

Tempo depois, despertei com o grito dos meus humanos! Levaram tudo!

Fred, seu come-dorme, você não viu os ladrões?

Meu Deus! O que eu faço agora?

Ao mesmo tempo, entra na casa o Tito, delegado do condomínio.

Pensei. Como me safar desta enrascada?!

Tito já adentrou à sala com algemas na mão para me prender.

Bradou:

– Sua missão é cuidar destes humanos. Por que você não agiu, não fez sua obrigação? Por que você não prendeu ou espantou os meliantes?

Você teve participação no crime? Confessa Fred!

Fiquei sem fala, não conseguia me explicar e fui levado para o xilindró.

Não havia opção, tive que ligar para o Guto, não sabia a quem recorrer…

Por sorte, Guto tinha um amigo advogado, Dr. Gilson Miranda, especialista em Direito Criminal.

Ao telefone, falou o Guto:

– Fred, liguei para o Dr. Gilson, ele disse que pode te tirar da cadeia, mas vai custar uma nota. Ele cobra honorários caríssimos.

– Fazer o que, né Guto?! O jeito é vender meu smartphone para pagar o advogado.

– Também, quem mandou você arrumar encrenca? Respondeu Guto.

Contratamos o Dr. Gilson.

No dia da audiência, estava o Fred no banco dos réus, acompanhado do Dr. Gilson.

O Juiz perguntou:

– Sr. Fred, por que o senhor não cumpriu sua missão e enxotou o ladrão da casa de seus humanos.

 Fiquei sem resposta, não poderia dizer a verdade, senão seria condenado.

Dr. Gilson é um ótimo advogado e apresentou a tese de legítima defesa.

Argumentou o procurador com o Juiz:

– Excelência, o meu cliente,  sr. Fred, não teve alternativa a não ser fingir que estava dormindo. No momento do roubo, eram muitos meliantes, armados, bandidos de alto índice de periculosidade. Se o sr. Fred reagisse seria morto instantaneamente.

Aquela já era a décima audiência que o juiz realizava no dia, sem almoço. Então, entrou o garçom na sala, trazendo sua refeição e disse ao Magistrado:

– Excelência, trouxe o frango que o senhor pediu.

Foi como se tocasse um canto de sereia, enfeitiçando o advogado de forma inexplicável.

Subitamente, o Dr. Gilson deu um pulo e gritou:

– Fraaaannnngooooo, alguém disse frango!!!

O cara partiu para cima do garçom, tomando de assalto a bandeja com a iguaria.

Pronto, lá se foi a defesa do Fred.

Dr. Gilson sentou-se na mesa do juiz e só saiu quando não restava mais nenhum um ossinho do prato que seria o almoço do magistrado.

Acabada a refeição, foram presos Fred e Dr. Gilson. Depois, foram encaminhados a um centro de reabilitação dos comedores compulsivos.

Mas como dizia aquele astro da TV, Garfield, mais vale um estômago cheio ainda que seja no xilindró!!!

 

 

 

Fred
                        

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