Eu adoro todos os meus amigos, mas o Juca é especial! Foi ele que me ensinou o gosto pela leitura.

Sua história, no começo, é triste, mas ele vira o jogo e se torna um cara extraordinário e muito feliz.

Juca nasceu em uma família pobre, o quarto de 12 irmãos.

Sua mãe vivia perambulando pelas ruas da cidade em busca de alimento para sua grande prole.

Mal o Juca conseguiu caminhar, já passou a ajudar na luta diária. Rodava pela cidade toda em busca de comida e abrigo para sua família.

Nas suas andanças, Juca descobriu o aterro sanitário, onde, dentre milhões de coisas, eram jogados muitos livros.

No começo, Juca pegava os livros, uns rasgados, outros mais ou menos, e ficava olhando as histórias. Aos poucos, ele foi juntando as letrinhas, depois as sílabas, até descobrir as palavras.

Num passe de mágica, Juca aprendeu sozinho a ler.

O céu era o limite, tudo que aparecia na sua frente, o esperto cão lia. Quando gostava muito, lia mais de uma vez. Se não gostasse, mesmo assim, ia até o final do livro para tentar extrair o que a história lhe podia oferecer de bom. E não é que ele conseguia. Sempre aprendia alguma coisa interessante.

A maior dificuldade era à noite pois onde ele e sua família moravam, num beco da cidade, não havia luz. Então, quando não era possível acender uma vela ou conseguir um lugar mais próximo do poste, sua diversão era impedida, o que deixava Juca muito triste.

Mas eu digo e repito: quem não acredita em fada madrinha, pode rever suas crenças. Elas existem!

Certa vez, uma humana e seu marido se propuseram a levar Juca para casa, mas o peludo não aceitou porque teria de deixar seus irmãos para trás. A moça não tinha lugar para todos em seu apartamento.

Então, a humana sugeriu que ele fosse morar na fazenda, aí ele poderia levar toda a família junto.

Lá foram eles para o campo.  Adaptaram-se bem com seus humanos e, de vez em quando, Juca vinha para a cidade com o casal de benfeitores.

Mas o problema com a luz à noite continuava. Não era sempre que havia claridade suficiente para sua leitura cotidiana.

Não é que a humana percebendo a situação, deixou propositalmente um aparelhinho destes modernos, o kindle, para que Juca pudesse ler na hora que quisesse. Era um tipo de tablet, com luz própria, onde os livros apareciam milagrosamente.

Bastava “baixar” a história desejada e se deliciar.

Juca não se conteve de alegria. Daquele dia em diante, não parou mais de ler.

Juca passou a ler para os irmãos, amigos e todo mundo que se interessasse. Foi aí que eu entrei para o mundo mágico dos livros.

Antes, como boa parte da garotada, achava que ler era chato, pois só haveria notícias ruins, coisas sem graça de saber. Mas o Juca, como bom amigo que sempre foi, me apresentou aos quadrinhos.

Ele lia para mim mangá, tio Patinhas, Turma da Mônica e vários outros.

Conheci grandes heróis como Pluto, Ri tin tin,  Lassie, Snoopy, Bidu, Floquinho, Scooby Doo e seu sobrinho Scooby Loo, Odie e vários outros.

Fiquei maravilhado com o universo escondido no papel!!!

Tanto que, num minutinho, aprendi a ler e também não parei mais.

Hoje, que já sou um adulto, vejo que também é necessário ler as coisas chatas e ruins porque só conhecendo os problemas temos chances de consertá-los.

Jamais esquecerei meu grande amigo e o precioso presente que ele me deu.

Juca não parou aí. Ensinou quem quis a ler e, mais ainda, o gosto pela leitura. Filhotes, idosos e todo mundo.

E quando a gente lê, a gente quer escrever. Não deu outra. Juca escondia um grande escritor! Ele conta histórias maravilhosas do interior do Estado, fala sobre coisas simples que moram em nossos corações.

Descreve a terra, seus milagres, descreve os produtores rurais, que, fazendo trabalho duro e invisível, traz para todos nós alimentos frescos e de qualidade todos os dias do ano.

Ele fala da água, do céu, do campo, da paz e dos humanos, esses seres incompreensíveis.

Com o conhecimento que ele tem, poderia ter sido astronauta, engenheiro, caminhoneiro, médico, advogado, lixeiro, cozinheiro, o que ele quisesse. Mas, sua escolha não teve erro. Ele quis ser escritor e, mais ainda, professor. Ele distribui a alegria de ler e aprender.

Ele provou a todos que as dificuldades da vida não podem ser reconhecidas como impedimentos e sim meros obstáculos. Somente quem luta pode superá-los.

Hoje, fazendo justiça ao seu esforço e dedicação, ele ocupa uma das cadeiras da Academia Canina de Letras – ACL.

 

Fred

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2 CommentsLeave a comment

  • Dilma, ficamos emocionados… Você é muito talentosa, sensível e tem que virar escritora. Adorei, vivam os cãezinhos, que são verdadeiros mestres, que nos ensinam diariamente, principalmente o significado da palavra amor. Obrigada pela amizade e carinho de sempre
    Nadine e Thalles

    • Oi Nadine! Eu que agradeço por ter a oportunidade de falar do Juca e de vocês. Uma história bonita e verdadeira! Obrigada! bjs

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